Com este álbum, a banda progressiva Nektar alcançou o seu auge nos anos 70.
O Nektar é uma daquelas bandas que possuem estilo musical característico próprio. Eles, apesar de serem homens ingleses, estavam na época na Alemanha, e lá se conheceram e a formaram (1969). Por estarem lá, foram praticamente ignorados pela mídia britânica, mas tiveram sucesso nos EUA de forma surpreendente. Apesar de ser classificada como uma banda progressiva, procurou adicionar em seu som influências variadas (incluindo o som krautrock, som característico do rock do país, que estava em alta na Alemanha naquela época) e fazer suas músicas com uma mistura única de progressivo e psicodélico. É frequentemente citado como uma das pérolas perdidas do prog, pois nunca alcançou o mesmo reconhecimento que outros gigantes do rock progressivo de primeiro escalão.
Sendo o seu trabalho de maior sucesso tanto de crítica quanto de vendas, alcançando a 19ª posição da parada de álbuns da Billboard 200 (EUA), Remember The Future (1973) é um disco conceitual conciso, com uma suíte contínua de duas partes de cerca de 20 minutos. Se parecem mesmo com uma única música, onde os temas se ligam naturalmente um ao outro e voltam algumas vezes. Com uma crítica social à frente de seu tempo, explora o tema da preservação ambiental de uma forma um tanto quanto criativa: um extraterrestre revela a uma criança cega o perigo de não cuidar do seu planeta.
Esse extraterrestre, chamado Bluebird, tentava se comunicar com outros seres humanos, mas era ignorado por todos, menos pelo menino cego, que passou a ver o mundo através das ondas telepáticas que o extraterrestre transmitiu a ele. A escolha da criança cega para a alegoria foi certeira e irônica, deixando explícita a ideia de que os seres humanos comuns não tinham sensibilidade e responsabilidade suficiente para captar o que o Bluebird queria avisar. Na última seção da parte 2, fica uma questão aberta, com uma sensação de esperança sobre o futuro, não tendo uma resolução definida do problema que aparece na história. Com certeza uma viagem altamente imersiva, reforçada pela experiência visual que o encarte do disco, com arte de Helmut Wenske, proporciona.
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| Contracapa do disco |
Além da letra e história um tanto quanto exótica, sua construção musical é pouco convencional. Através de uma atmosfera leve, o disco alterna entre partes calmas e outras mais agitadas, e tem um som mais dançante e fácil de absorver, com melodias que fixam mesmo em meio de tantas mudanças de clima e ritmo (diferente dos álbuns pomposos e clássicos das bandas tradicionais de prog). Usando camadas de voz em coro, apresenta teclados espaciais e uma guitarra melódica, transita desde o space rock e psicodélico até influências de funk e soul, sendo muito difícil encontrar algo parecido dentro do gênero.
Este disco é simplesmente uma obra-prima e me senti muito impressionado com ele desde a primeira vez que ouvi, e ainda ouço sem enjoar mesmo depois de centenas de vezes. Apesar de alguns críticos dizerem que ele é um pouco repetitivo ou até criticar o balanço funk, essas críticas não diminuem o impacto e personalidade do álbum, nem a genialidade da banda ao concebê-lo. Recomendo para todos os fãs de progressivo em geral, em especial os que gostam de algo mais dançante e não tradicional, os que curtem uma abordagem sci-fi e temas mais psicodélicos, assim como aqueles que gostam de space rock.



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